quarta-feira, 14 de setembro de 2011


  • — Alô?
  • — Me perdoe.
  • — Ah, é você.
  • — Isso é um sim?
  • — Não.
  • — Me perdoe.
  • — Não. Vá pedir perdão a quem se importa com você.
  • — Você se importa comigo. Atendeu meu telefone às 2 horas da manhã.
  • — E poderia desligar agora, se quisesse.
  • — Então desligue.
  • — Quero ouvir-te implorando.
  • — Me perdoe.
  • — Não.
  • — O que devo fazer?
  • — Viver sem mim.
  • — Não consigo.
  • — Tente.
  • — Uma rosa. Mesmo sem cheiro, sem cor e sem vida, continua sendo uma rosa, sabe?
  • — Isso é uma metáfora?
  • — Quer dizer que mesmo que minha forma de amar seja medíocre, não deixo de amar-te. Do meu jeito.
  • — Olha, algo que concordamos. Você é medíocre, realmente.
  • — Posso ficar a noite inteira pedindo que me perdoes.
  • — Poupe seu fôlego.
  • — Eu daria meu último suspiro por você.
  • — Hm.
  • — Eu te amo.
  • — Eu não.
  • — Tudo bem, ainda te amo.
  • — [risadas]
  • — Ainda te faço rir.
  • — Muito mais me fez chorar.
  • — Isso é realmente importante? Porque não podemos seguir em frente?
  • — Por que deveríamos seguir em frente? Você deixou seus sentimentos bem claros.
  • — Estou implorando seu perdão.
  • — E eu digo que isso não significa nada vindo de você.
  • — Por quê?
  • — Você disse que nunca iria me magoar.
  • — E você disse que me amaria pra sempre.

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